
João Canijo é daqueles realizadores portugueses que podem já ser considerados cineastas, pois não se limita a realizar um filme, concebendo-o também, estando por trás do filme em si. Canijo atinge com este "Sangue do Meu Sangue" o patamar que já lhe estava destinado há muito, o de ser tão bom ou melhor realizador e cineasta que um Woody Allen ou um Clint Eastwood, ou um Steven Spielberg, ou outro qualquer grande de Hollywood.
"Sangue do Meu Sangue" conta a história do amor incondicional de uma mãe, Márcia (Rita Blanco), pela sua filha, Cláudia (Cleia Almeida), e do amor incondicional de uma tia, Ivete (Anabela Moreira), pelo seu sobrinho, Joca (Rafael Morais), e de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar. Estes amores incondicionais levam a certas atitudes, acções e comportamentos (talvez) incompreensíveis. O 'amor de mãe', mesmo no caso da tia e do sobrinho, é o maior amor que existe. É capaz de tudo. E tudo pode. E tudo faz. É este amor desmesurado, poderoso e maravilhoso que este filme retrata. Num Portugal da Lisboa que não é assim tão cosmopolita como isso, mas que também não tem que ser forçosamente fatídica e trágica.
Este filme conta com um elenco de primeira linha. Canijo utiliza quase todos os seus actores fetiche, Rita Blanco, Cleia Almeida, Anabela Moreira, Fernando Luís e Beatriz Batarda (num pequeno papel). As interpretações são soberbas, sobretudo das três personagens femininas. Rita Blanco está divina como ela só, e Anabela Moreira e Cleia Almeida desabrocham ainda mais o seu talento. De destacar também a intrepertação de Nuno Lopes, especialmente na cena final com Anabela. Deu bons frutos o facto do argumento escrito e composto em parceria com o realizador e os seus actores, dando espaço de manobra para os actores se identificarem ainda mais com as personagens por si encarnadas, deixando-as fluir sem se anularem. Desde cedo que João Canijo gosta de retratar o Portugal real, não tanto o profundo, mas aquele que existe ao nosso lado, quase sem darmos por isso. Desde "Noite Escura" (2004) que o realizador leva os seus actores para o ambiente onde decide filmar. Na altura foram os bares de alterne, desta vez foram as profundezas do Bairro Padre Cruz em Lisboa. Fazendo de alguns dos seus habitantes actores, interpretando personagens figurantes que dão autenticidade e realismo à película. Parecendo quase um documentário e não tanto uma obra ficcionada.
Só tenho dois pontos a criticar negativamente: o cartaz e o trailer do filme. O trailer é um mero conjunto de imagens do filme apresentadas sem nexo. O cartaz de Pierre Collier parece um trabalho amador. É difícil entender este trabalho do artista francês, sendo ele um veterano no design de bons cartazes de cinema, tendo o seu primeiro trabalho sido feito em 1986.
Eu optei por ir ver a versão longa do filme, de 190 minutos, no Cinema City Classic Alvalade, e agradou-me que para um sábado à noite a sala estar muito bem composta, com poucos lugares vagos. Apesar desta versão ser muito longa vale a pena ver o filme. Perder este filme significa perder um dos melhores trabalhos de João Canijo e significa perder um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos.
Classificação: 4,9 em 5.
Em cima, na imagem, o cartaz do filme e em baixo, o trailer.



Na foto uma imagem de Brad Pitt e os seus olhos azuis no novo filme de Terrence Malick,
Imaginem um homem ou uma mulher a perderem o seu companheiro/a de há dezasseis anos. Imaginem que essa morte vos consome por dentro. Imaginem que a partir dessa perda mais nada (trabalho por exemplo), nem ninguém (melhores amigos por exemplo), faz sentido para vós. O que fariam? Desejariam morrer? Desejariam que essa dor parasse? Que fariam? Que futuro veriam? 
A época de caça aos prémios já começou... Já foram entregues os People's Choice Awards e os Critic's Choice Awards, por exemplo. Há pouco foram entregues os Golden Globes Awards. A época de caça continuará muito renhida até 7 de Março aquando da entrega dos Oscars.
A DreamWorks brinda-nos este ano com "Monstros vs Aliens", o seu primeiro filme em 3D. A experiência 3D é muito engraçada, sem dúvida, mas agora está demasiado na moda. A Disney há uns meses anunciou que os seus filmes de animação iriam passar apenas a ser produzidos em 3D. Na calha para este ano está também "Up - Altamente!" da Pixar em... 3D. Depois da revolução que foi o cinema de digital a nova era na animação é o 3D, que curiosamente é feito digitalmente. E a animação tradicional? Ficará apenas para os japoneses da Ghibli? O meu problema é que quando vou ver um filme de animação quero ver um filme de animação e não um filme de animação a fazer-se passar por um filme de imagens reais. Confesso que neste "Monstros vs Aliens" vi os poros da barba do General W. R. Monger. Para quê?




