sábado, 7 de janeiro de 2012

migrações

Isto não está fácil... Ainda não consegui migrar o outro blog para aqui, mas não vai ser por isso que isto não (re)começa.
Muito se tem falado em emigração nos últimos tempos. No meu blog (mais ou menos) político, O Chaparral, escrevi sobre "A emigração do Pingo Doce". No texto escrevi a dada altura que "Eu próprio já considerei emigrar mais do que uma vez, numa das vezes cheguei a ter as malas feitas para Liverpool.". É verdade. Estava tudo combinado para eu ir para Liverpool fazer uma formação para depois integrar uma equipa num paquete (um barcozeco). Não fui. À última hora esquivei-me e não fui. Fui desleal para quem me tinha "contratado", mas como ainda não tinha vinculo legal não me importei em não ir. O meu sexto sentido dizia-me para não ir que a coisa não iria correr lá muito bem. Hoje em dia não sei se não teria uma próspera carreira como "marinheiro", mas isso também pouca importância agora. Prefiro confiar no meu sexto sentido. Já houve alturas em que não confiei e lixei-me. Já houve alturas em que o meu sexto sentido estava desafinado e só deu sinal de si quando as coisas estavam concretizadas e eu já não podia saltar fora, por exemplo quando entrei em 2008 para o meu actual emprego. Mas isto é uma história para um outro post... Claro que isto dito assim, aliás escrito assim, parece um pouco leviano e sem seriedade nenhuma. Não parece, mas sou ajuizado, sempre fui, se calhar até em demasia. Na altura da ida para Liverpool não confiei na empresa, ou talvez não tenha confiado nas pessoas envolvidas no projecto. Ou até posso não ter confiado em mim próprio, dado que sou muito exigente comigo mesmo. Houve qualquer coisa que me fez recuar. O que importa é não haver arrependimentos ou frustrações do que não se faz. Com os incentivos que este governo anda a fazer à emigração, pode ser que um dia destes, coisa que duvido, esteja a escrever doutra cidade, doutro país, de Belgrado por exemplo...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Surpresa! Surpresa!

Decidido que estou em reabilitar este blog... ou melhor em reabilitar a minha prática de escrever sobre coisas minhas e banais (e não apenas sobre política ou cinema), vou transferir este blog para aqui: http://luisv-desde1979.blogspot.com/. A ver se 2012 começa bem... tudo influências de um certo Pinguim, de Dois Coelhos, de um Deus do Olimpo e outros que dão também cartas na blogosfera. Vemo-nos por aí...

sábado, 3 de dezembro de 2011

É Natal! É Natal!

Eu já entrei completamente no espírito natalício. E fico ainda mais natalino com músicas de Natal, adoro... Não sendo uma música de Natal, apesar de muitas vezes ser escolhida por cantores para a interpretarem nesta do altura ano, "Dream a Little Dream of Me" foi a música escolhida pela TMN para o seu anúncio natalício numa versão de Áurea. Esta, é para mim, uma das melhores versões desta música. A voz desta miúda é algo que me faz arrepiar todo...



Em cima o anúncio e em baixo uma versão mais longa e sem o coro infantil.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ainda o Fado

Deixo aqui de Júlio Resende, o pianista, não o pintor, a preformance de Júlio Resende Trio de "Silêncio - for the Fado" do álbum "You Taste Like a Song" (2011), num exemplo claro de como o Fado influencia tudo e todos...


domingo, 27 de novembro de 2011

Fado

Para homenagear o Fado como Património Imaterial da Humanidade escolhi para ouvir aqui uma das vozes que ultimamente anda a dar que falar, a de Ricardo Ribeiro. Ele fuma, ele bebe, ele é gordinho, ele é diferente na igualdade que existe no Fado. Gosto do Ricardo, gosto da sua voz, gosto do seu mau feitio, gosto, pronto. Viu-o pela primeira vez ao vivo em 2008 ou 2009 numa das minhas muitas visitas ao Museu do Fado. Fujo assim à escolha obvia de Amália, ou de Celeste, ou de Lucilia, ou de Camané, ou de Mariza, ou de Carlos do Carmo, ou de Alfredo, ou de Ana Moura, ou de...



Ricardo Ribeiro em "Fama de Alfama (Bairro Afamado)", letra de Radamanto (Mote) e Conde Sobral (Glosa), música de José Lopes (Fado Lopes).

domingo, 9 de outubro de 2011

Cinema: "Sangue do Meu Sangue" e o amor incondicional


João Canijo é daqueles realizadores portugueses que podem já ser considerados cineastas, pois não se limita a realizar um filme, concebendo-o também, estando por trás do filme em si. Canijo atinge com este "Sangue do Meu Sangue" o patamar que já lhe estava destinado há muito, o de ser tão bom ou melhor realizador e cineasta que um Woody Allen ou um Clint Eastwood, ou um Steven Spielberg, ou outro qualquer grande de Hollywood.


"Sangue do Meu Sangue" conta a história do amor incondicional de uma mãe, Márcia (Rita Blanco), pela sua filha, Cláudia (Cleia Almeida), e do amor incondicional de uma tia, Ivete (Anabela Moreira), pelo seu sobrinho, Joca (Rafael Morais), e de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar. Estes amores incondicionais levam a certas atitudes, acções e comportamentos (talvez) incompreensíveis. O 'amor de mãe', mesmo no caso da tia e do sobrinho, é o maior amor que existe. É capaz de tudo. E tudo pode. E tudo faz. É este amor desmesurado, poderoso e maravilhoso que este filme retrata. Num Portugal da Lisboa que não é assim tão cosmopolita como isso, mas que também não tem que ser forçosamente fatídica e trágica.


Este filme conta com um elenco de primeira linha. Canijo utiliza quase todos os seus actores fetiche, Rita Blanco, Cleia Almeida, Anabela Moreira, Fernando Luís e Beatriz Batarda (num pequeno papel). As interpretações são soberbas, sobretudo das três personagens femininas. Rita Blanco está divina como ela só, e Anabela Moreira e Cleia Almeida desabrocham ainda mais o seu talento. De destacar também a intrepertação de Nuno Lopes, especialmente na cena final com Anabela. Deu bons frutos o facto do argumento escrito e composto em parceria com o realizador e os seus actores, dando espaço de manobra para os actores se identificarem ainda mais com as personagens por si encarnadas, deixando-as fluir sem se anularem. Desde cedo que João Canijo gosta de retratar o Portugal real, não tanto o profundo, mas aquele que existe ao nosso lado, quase sem darmos por isso. Desde "Noite Escura" (2004) que o realizador leva os seus actores para o ambiente onde decide filmar. Na altura foram os bares de alterne, desta vez foram as profundezas do Bairro Padre Cruz em Lisboa. Fazendo de alguns dos seus habitantes actores, interpretando personagens figurantes que dão autenticidade e realismo à película. Parecendo quase um documentário e não tanto uma obra ficcionada.


Só tenho dois pontos a criticar negativamente: o cartaz e o trailer do filme. O trailer é um mero conjunto de imagens do filme apresentadas sem nexo. O cartaz de Pierre Collier parece um trabalho amador. É difícil entender este trabalho do artista francês, sendo ele um veterano no design de bons cartazes de cinema, tendo o seu primeiro trabalho sido feito em 1986.


Eu optei por ir ver a versão longa do filme, de 190 minutos, no Cinema City Classic Alvalade, e agradou-me que para um sábado à noite a sala estar muito bem composta, com poucos lugares vagos. Apesar desta versão ser muito longa vale a pena ver o filme. Perder este filme significa perder um dos melhores trabalhos de João Canijo e significa perder um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos.


Classificação: 4,9 em 5.



Em cima, na imagem, o cartaz do filme e em baixo, o trailer.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

o meu voto


O meu voto conta? Claro que conta. O meu voto tem importância? Claro que tem. O meu voto é decisivo? Claro que é. Assim como o de todos nós. Por isso é muito importante votar em qualquer eleição ou referendo. Por pouco que tenham acompanhado esta campanha, podem verificar que um lado culpa o outro pelo estado em que está o país. Um lado chamou "ignorantes" aos alunos que andaram nas Novas Oportunidades. Esse mesmo lado disse a uma senhora que uma enxadazinha lhe fazia bem quando a dita senhora o mandou trabalhar. O outro lado teve umas alegres figuras de turbante a baterem-lhe palmas. Teve também uns quantos protestos à porta dos seus comícios. O terceiro do "arco governativo" fez uma campanha sem grainhas. À esquerda, o avô parece que fez apenas campanha na sua zona de conforto, não arriscando mais, não ousando mais. A outra esquerda arrisca-se a ser o novo partido do táxi. Os chamados partidos pequenos, sem assento parlamentar, conseguiram que um tribunal, o de Oeiras, interferisse na campanha, obrigando as televisões a transmitir uns debates enfadonhos e monótonos. Em resuma, uma campanha igual às anteriores, cansativa e pouco esclarecedora. Mas o importante é ir votar. Fazer valer a nossa decisão. Mesmo que o resultado não seja a nosso favor. É nas urnas, é através da representatividade parlamentar que nós, cidadãos, temos voz activa. E ainda bem que esta campanha já está a acabar. A partir de segunda-feira é que vão ser elas. A troika andará por aí, a controlar-nos, a vigiar-nos, a fazer-nos a vida ainda mais negra. E não se irá embora sem nos depenar o pouco que já temos...