quarta-feira, 30 de maio de 2012

My Jazz Singers #5

Astrud Gilberto é mais que uma bonita voz da Bossa Nova ou da Música Popular Brasileira. É certo que de momento está meio escondida e meio desaparecida. Mas a influência que teve na internacionalização da Bossa Nova faz dela uma voz grande não só do mundo da Bossa Nova e Música Popular Brasileira como também do mundo do Jazz Mundial. E o que é a Bossa Nova se não uma variação quente abrasileirada de um jazz com toques de samba e tropicalismo (ou tropicália).
Nascida em Salvador da Bahia, filha de mãe brasileira e pai alemão, mudou-se para o Rio de Janeiro com família, em 1947. Com apenas 19 anos casa-se com João Gilberto, mais velho 9 anos, este casamento é crucial na sua vida, apesar de curto. Em 1963 Astrud muda-se com o marido para os EUA, onde ainda vive. Um ano depois participa com João no álbum "Getz/Gilberto" com Stan Getz e onde também colaborara Tom Jobim. Este álbum é considerado o grande responsável por popularizar a Bossa Nova nos Estados Unidos e no resto do Mundo. Tendo em 1965 ganho 4 Grammys, Melhor Álbum do Ano, Melhor Disco de Jazz - Individual ou Grupo, Melhor Arranjo, Não Clássico e Melhor Gravação do Ano para "The Girl from Ipanema", prémio partilhado por Astrud e Stan, com quem na altura tinha uma relação amorosa. Composta por Tom Jobim e com letra na versão inglesa de Norman Gimbel é esta soberba e delicada interpretação que se ouve e vê-se de já de seguida...
Tall and tan and young and lovely, the girl from Ipanema goes walking 
And when she passes, each one she passes goes - aaah 
When she walks, she's like a samba that swings so cool and sways so gently 
That when she passes, each one she passes goes - aaah
Ooh But he watches so sadly, How can he tell her he loves her, 
Yes he would give his heart gladly, 
but instead when she walks to the sea, 
she looks straight ahead not at him,
Tall, and tan, and young, and lovely, the girl from Ipanema goes walking 
And when she passes, he smiles - but she doesn't see 

Ooh But he sees her so sadly, how can he tell her he loves her 
Yes he would give his heart gladly, 
But each day, when she walks to the sea 
She looks straight ahead, not at him
Tall, and tan, and young, and lovely, the girl from Ipanema goes walking 
And when she passes, he smiles - but she doesn't see 
She just doesn't see
No, she doesn't see
She just doesn't see

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O recibo?

Hoje de manhã numa gasolineira de uma conhecida marca portuguesa...
Eu - Bom dia! São 20€ de gasolina 95 sem chumbo na bomba 5, se faz favor.
Empregado - Bom dia! - procedendo ao pedido. Passa o cartão multibanco e vira costa para tirar um café para outro cliente. Esperei que voltasse. O empregado regressa e surpreso por me ver ainda ali pergunta-me:
- Quer o recibo?
- Claro! - respondi. O empregado dá-me o recibo, eu agradeço e ele agradece-me de volta.
Eu fiquei aturdido... Já trabalhei atrás dum balcão e uma das regras básicas que aprendi foi a dar sempre os recibos, sem perguntar se o cliente queria ou não. Acho falta de educação não me darem o recibo do que acabo de pagar. Já no outro dia na Feira do Livro de Lisboa um empregado de uma das bancas me olhou de lado por eu ter pedido o recibo de um livro que me havia custado uns meros 4€.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bernardo Sassetti 1970 - 2012

Porque é que se morre? Pergunto-me! Para quê? Com que propósito? Para deixarmos as pessoas tristes? Só pode! Morreu! Bernardo Sassetti morreu! Pianista, compositor, talentoso, muito talentoso. Estou triste, muito triste. Detesto a morte. Caiu ontem à tarde de uma falésia. O corpo foi resgatado hoje. A notícia da confirmação do seu corpo chegou hoje pela hora do almoço. A família e a sua editora confirmaram-na. Deixou duas filhas órfãs. Deixou a mulher, a também talentosa actriz Beatriz Batarda, viúva. E os pais? Estou triste, muito triste. Fica a sua obra, fica a sua música...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Prazer da Comida: Salame de Chocolate

Adoro cozinhar, para mim é mesmo um prazer... O lanche de hoje foi Salame de Chocolate com sumo de ananás e meloa.

Receita:
Ingredientes:
- 90gr de chocolate;
- 90gr de margarina;
- 90gr de açúcar amarelo;
- 1 café normal;
- 200gr bolacha torrada.

Preparação:
Desfaz-se a bolacha torrada numa terrina, junta-se o açúcar, a margarina amolecida e o chocolate previamente derretido no café (no microondas). Mistura-se tudo muito bem, molda-se em forma de rolo com a ajuda de película aderente, guarda-se no frigorífico para solidificar e está pronto a comer em 4 horas.

Notas:
Quantidades aproximadas.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

My Jazz Singers #4

Hoje comemora-se o 38.º aniversário da Revolução dos Cravos. O que resta do 25 de Abril de 1974? O que realmente se conquistou nesse dia? A resposta a esta e outras perguntas ainda estão gravadas nas músicas e letras de Zeca Afonso. 
Em 2007 foram lançados dois álbuns que homenageavam José Afonso: "C'os Tamaquinhas do Zeca" dos Couple Coffee e "Convexo - A Música de Zeca Afonso" de Jacinta. O primeiro dava às músicas de Zeca um tom brasileiro, com algum samba e muita alegria, mesmo nas letras mais trágicas. O segundo conduzia Zeca ao jazz mais puro, tirando alguns artifícios fáceis da música popular e acrescentando robustez. Tanto um como outro foram parar à minha discografia pessoal não só por gostar dos Couple Coffee e da Jacinta mas também pelo brilhantismo que acrescentaram à memória de Zeca Afonso.
Jacinta tem uma poderosa voz e uma presença em palco que se agiganta. Como qualquer artista de jazz que é prefiro-a ao vivo que em disco de estúdio, mas as bases dos concertos são esses álbuns. Jacinta é das Jazz Singers que mais me encanta e deleita. A primeira vez que a ouvi ao vivo foi no antigo Hot Club, estava então Jacinta grávida e eu no meu primeiro ano de faculdade. Trago-vos aqui  "A Morte Saiu à Rua" do seu álbum de 2007, "Convexo - A Música de Zeca Afonso".  Esta música surgiu pela primeira vez no álbum "Eu Vou Ser Como a Toupeira" editado em 1972 e é dedicada ao pintor, artista plástico e militante do PCP José Dias Coelho, assassinado a tiro a 19 de Dezembro de 1961 por agentes da PIDE na então Rua dos Lusíadas, que hoje tem o seu nome, em Alcântara, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros, um à queima-roupa, em pleno peito, deitando-o por terra, o outro foi disparado com ele já no chão a morrer.
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

segunda-feira, 16 de abril de 2012

countdown

Today was the day.
Hoje foi o dia. Despedi-me e isso não é o fim do mundo, nem o fim da minha vida. Hoje foi o dia em que dei mais um passo. Sim, para um futuro mais incerto, mas para um futuro com a cabeça e o corpo mais sãos. E hoje recomeça outro countdown. E hoje, mais logo ao final da tarde, começo a fazer um Curso de Noções Básica de Cozinha. E hoje está um dia de verdadeira Primavera, com muito sol e pólen no ar. Já não é sexta-feira 13, dia internacional do beijo, é segunda-feira 16, dia internacional da voz. Estava nervoso, mas a voz não tremei, esteve segura. Continuo nervoso, veremos se mais logo conseguirei dormir.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

filhos e cadilhos

Sempre quis ter filhos. Ainda quero. Não importa se biológico ou adoptado. Desde os 30 anos que esse desejo se vem acentuando. O meu JR sempre torceu o nariz à ideia de ter filhos, se bem que de há uns tempos para cá já é mais favorável.
Não sei se o meu desejo de ter filhos será egoísmo meu ou não, a necessidade latente de preenchimento de alguma lacuna familiar. Por várias razões às vezes penso que estou a ser um egoísta vil e mesquinho. A minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos, desde essa altura procuro, inconscientemente, nalgumas mulheres o elo maternal que se quebrou tão cedo. Desde a minha avó paterna - que cuidou de mim e do meu irmão logo após a tragédia e até aparecer a minha primeira madrasta - até à minha avó materna - que cuidou de mim desde que fui viver consigo e o meu avô, tinha eu 14 anos, isto só para dar dois exemplos.
Talvez prefira adoptar por ter sido filho biológico dos meus pais e de criação dos meus avós maternos. Lembro-me vagamente que os meus pais estiveram para adoptar uma menina que teria apenas mais um ano que eu e com a qual criaram afinidade durante um dos meus internamentos ou visitas regulares ao Hospital D. Estefânia. Na altura a menina foi adoptada/acolhida por uma enfermeira e o seu marido que não podiam ter filhos. Felizmente que assim foi e a menina não veio depois a sofrer a perda de outra mãe, já lhe tinha bastado o abandono dos seus pais. É por isso que não compreendo o porquê de negarem a adopção de crianças a pessoas que têm tanto amor para lhes dar...