segunda-feira, 16 de abril de 2012

countdown

Today was the day.
Hoje foi o dia. Despedi-me e isso não é o fim do mundo, nem o fim da minha vida. Hoje foi o dia em que dei mais um passo. Sim, para um futuro mais incerto, mas para um futuro com a cabeça e o corpo mais sãos. E hoje recomeça outro countdown. E hoje, mais logo ao final da tarde, começo a fazer um Curso de Noções Básica de Cozinha. E hoje está um dia de verdadeira Primavera, com muito sol e pólen no ar. Já não é sexta-feira 13, dia internacional do beijo, é segunda-feira 16, dia internacional da voz. Estava nervoso, mas a voz não tremei, esteve segura. Continuo nervoso, veremos se mais logo conseguirei dormir.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

filhos e cadilhos

Sempre quis ter filhos. Ainda quero. Não importa se biológico ou adoptado. Desde os 30 anos que esse desejo se vem acentuando. O meu JR sempre torceu o nariz à ideia de ter filhos, se bem que de há uns tempos para cá já é mais favorável.
Não sei se o meu desejo de ter filhos será egoísmo meu ou não, a necessidade latente de preenchimento de alguma lacuna familiar. Por várias razões às vezes penso que estou a ser um egoísta vil e mesquinho. A minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos, desde essa altura procuro, inconscientemente, nalgumas mulheres o elo maternal que se quebrou tão cedo. Desde a minha avó paterna - que cuidou de mim e do meu irmão logo após a tragédia e até aparecer a minha primeira madrasta - até à minha avó materna - que cuidou de mim desde que fui viver consigo e o meu avô, tinha eu 14 anos, isto só para dar dois exemplos.
Talvez prefira adoptar por ter sido filho biológico dos meus pais e de criação dos meus avós maternos. Lembro-me vagamente que os meus pais estiveram para adoptar uma menina que teria apenas mais um ano que eu e com a qual criaram afinidade durante um dos meus internamentos ou visitas regulares ao Hospital D. Estefânia. Na altura a menina foi adoptada/acolhida por uma enfermeira e o seu marido que não podiam ter filhos. Felizmente que assim foi e a menina não veio depois a sofrer a perda de outra mãe, já lhe tinha bastado o abandono dos seus pais. É por isso que não compreendo o porquê de negarem a adopção de crianças a pessoas que têm tanto amor para lhes dar...

segunda-feira, 19 de março de 2012

My Jazz Singers #3

Esta rubrica este mês vem mais tarde por causa do dia de hoje...
Ela foi actriz e cantora, foi e é considerada uma das mulheres mais bonitas que já existiu no mundo, bela, sensual, frágil, infeliz, neurótica, dependente de álcool e fármacos, insegura, sem auto-estima, teve problemas com o pai e talvez por isso coleccionou maridos, nunca ganhou um Oscar, mas ganhou a dada altura um Globo de Ouro com um filme que contém uma das cenas mais famosas da sua carreira e participou em dezenas de filmes. Interpretaram-na outras dezenas de vezes, uma das últimas vezes valeu uma nomeação ao Oscar à actriz que fez de si. Marilyn Monroe (ou Norma Jean) dispensa apresentações, faria a 1 de Junho 86 anos. Não foi apenas uma diva, é a personificação do que melhor e pior tem o cinema, nomeadamente Hollywood. Devido à importância que ainda exerce na 7.ª arte é que o Festival de Cannes deste ano lhe dedicou este ano o cartaz promocional.
Como cantora, Marilyn não tinha grande voz, mas deixou-nos músicas e interpretações inesquecíveis, desde o incontornável "Diamonds Are a Girl's Best Friend" ao "Happy Birthday" a JFK. Trago aqui a sua versão de "My Heart Belongs To Daddy" por ser... dia de todos os pais. Não esquecer que o daddy da música não é propriamente o papá, mas um homem mais velho... Este standard do jazz tem letra e música de Cole Porter e foi composto em 1938 para o musical "Leave It to Me!" estreado no mesmo ano na Broadway. A versão da actriz é ligeiramente diferente do original, sobretudo no início, isto deve-se ao facto de fazer parte do filme musical "Let's Make Love" ("Vamo-nos Amar", 1960, de George Cukor). Fica a cena memorável...
While tearing off a game of golf
I may make a play for the caddy
But when I do, I don't follow through
Cause my heart belongs to Daddy

If I invite a boy some night
To dine on my fine food and haddie
I just adore, his asking for more
But my heart belongs to Daddy

Yes, my heart belongs to Daddy
So I simply couldn't be bad
Yes, my heart belongs to Daddy
Da, Da, Da, Da, Da, Da, Da, Da, DAAAAD

So I want to warn you laddie
Though I know that you're perfectly swell
That my heart belongs to Daddy
Cause my Daddy, he treats it so well

While tearing off a game of golf
I may make a play for the caddy
But when I do, I don't follow through
Cause my heart belongs to Daddy

If I invite a boy some night
To cook up some hot enchilada
Though Spanish rice is all very nice
My heart belongs to Daddy

Yes, my heart belongs to Daddy
So I simply couldn't be bad
Yes, my heart belongs to Daddy
Da, Da, Da, Da, Da, Da, Da, Da, DAAAAD

So I want to warn you laddie
Though I know that you're perfectly swell
That my heart belongs to Daddy
Cause my Daddy, he treats it so well

sexta-feira, 2 de março de 2012

New York, New York

O clássico "New York, New York", composto por John Kander, com letra de Fred Ebb e extraído do filme com o mesmo nome de Martin Scorsese é recriado por Carey Mulligan numa cena maravilhosa de "Vergonha" ("Shame", 2011) de Steve McQueen (no vídeo em cima), que tal como a cena de Liza Minnelli no filme de 1977 também irá ficar na memória do cinema. A interpretação amargurada e visceral de Mulligan, de qualidades vocais absolutamente nada comparadas às de Liza, fez-me recordar a Nova Iorque que visitei em 2010 com o meu JR. A cidade que nunca dorme que se vê neste "Vergonha" do artista plástico inglês McQueen, é a mesma que se vê em "Cisne Negro" ("Black Swan", 2010) de Darren Aronofsky. Estas películas mostram a Nova Iorque que eu próprio vi e vivi, mesmo que por poucos dias... Apesar de ser uma cidade encantadoramente rica, bela, maravilhosa e terrivelmente apaixonante e apaixonada, é também, e na mesma medida, uma cidade fria, vergonhosa, despida e sobretudo desprovida de sentimentos. Esta dualidade de sensações é cortante tal como se pode ver nas imagens em baixo. Do lado esquerdo temos uma cena de "Vergonha", à noite e com o protagonista, Michael Fassbender, vencedor da Taça Volpi para Melhor Actor no Festival de Cinema de Veneza, a enfrentar a câmara como que a desafiar-nos, do lado direito temos "Cisne Negro", de dia com Natalie Portman, vencedora do Óscar de Melhor Actriz Principal com esta sua Nina, de costas voltadas a nós e à sua vida interior.
É difícil não filmar ou fotografar Nova Iorque sem o glamour e o fascínio a que estamos habituados ver em filmes e fotografias. Nas imagens de baixo, tiradas por mim e pelo JR na altura, é fácil ver isso... do lado esquerdo, de dia e com um sol esplendoroso, temos o Chrysler Building na sua imponência e do lado direito, de noite e com todo magia das suas luzes, temos o Palace Theatre na sempre estonteante Broadway.
Nova Iorque não é mais que uma mera cidade como Lisboa, Madrid, Paris ou Londres, que de banal não tem nada, mesmo que não se goste não nos é indiferente. Tem defeitos e qualidades, vidas feitas, desfeitas e refeitas, altos e baixos, "Cheia de encanto e de beleza!". Mas completamente e totalmente dilacerante como os olhares cortantes e desesperados de Carey Mulligan e Michael Fassbender no vídeo em cima.
É favor clicar nas imagens para serem vistas e apreciadas com uma definição e qualidade melhores.

quinta-feira, 1 de março de 2012

trabalho por turnos

Trabalho por turnos desde Janeiro/Fevereiro de 2004, ou seja, há 8 anos consecutivos. As únicas pausas são nas férias. Em 2004 comecei a trabalhar por turnos na empresa onde já trabalhava desde Julho do ano anterior. Ao mudar de departamento, mudei de funções e de horários. Na altura os horários não eram tão estanques e tão rígidos como os que actualmente faço. Em 2008, por várias razões, incluindo financeiras, mudei de emprego, deixei a empresa onde estava há mais de 4 anos. Hoje em dia apercebo-me que eu não precisava de mais para ser feliz, ou estar bem. Contudo a mudança naquela altura foi fundamental. 2008 foi mesmo um ano de mudanças, muitas mudanças, que tinha que acontecer e que ainda bem que aconteceram.
Voltando ao trabalho por turnos... é das coisas mais violentas que existem em termos profissionais. Pessoal hospitalar (desde médicos, a enfermeiros e auxiliares), vigilantes e seguranças, empregados fabris, empregados de hotéis, e tantos outros, que trabalham por turnos, são profissionais que têm um desgaste maior, a possibilidade de serem mais infelizes nas suas relações amorosas, familiares e de amizade é menor e deixa-os de fora de uma vida social comum como os comuns mortais. Quando fazemos noites vivemos como morcegos, quando fazemos manhãs acordamos com o nascer do sol, quando fazemos tarde é quando alguém quer ir ao cinema. Ficamos às vezes e por vezes sem sentido de orientação. O desgaste é maior comparado com outras profissões física e psicologicamente com a mesma exigência.
Ando cada vez mais com aversão aos turnos, de nunca ter uma rotina, uma sequência comum. Detesto sobretudo as minhas manhãs, em que trabalho 7 dias seguidos, em que tenho que acordar às 06h, e deitar-me cedo, em que durmo muito pouco, pois o stress e pressão para dormir atacam-me o sono. E para alguém como eu que tem insónias desde a adolescência isto não ajuda. De momento estou na segunda noite de uma série de três, sendo que logo a seguir tenho três dias de folga e posso aproveitar o fim-de-semana para relaxar e divertir-me...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

My Jazz Singers #2

"My Funny Valenine" é uma das músicas que mais adoro (amo) do reportório americano. Esta música foi composta por Richard Rodgers e escrita por Lorenz Hart para o musical "Babes in Arms" que foi levado à cena na Broadway pela primeira vez em 1937. Depois de ter sido gravada por Chet Baker, Frank Sinatra, Miles Dives, entre outros, esta música tornou-se num dos standards do jazz mais tocados, cantados e gravados. Neste dia esplêndido em que se celebra e comemora o dia de todos os namorados e de todas as namoradas este "My Funny Valentine" não podia faltar.
A versão que deixo aqui é uma das que mais gosto. É da maravilhosa Ella Fitzgerald que gravou a primeira versão em 1956 para o álbum "Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook". Esta versão tem uma particularidade, é das poucas em que consta o poema completo, que pode ser lido em baixo. Lady Ella foi, e ainda é de certa forma, das jazz singers americanas que mais se destacou no panorama da música americana. Com uma voz cativante e poderosíssima, de dicção perfeita não podia faltar nesta minha listinha das melhores cantoras de jazz (para mim, claro).
Behold the way our fine feathered friend,
His virtue doth parade
Thou knowest not, my dim-witted friend
The picture thou hast made
Thy vacant brow, and thy tousled hair
Conceal thy good intent
Thou noble upright truthful sincere,
And slightly dopey gent

You're my funny valentine,
Sweet comic valentine,
You make me smile with my heart.
Your looks are laughable, un-photographable,
Yet, you're my favorite work of art.

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak, are you smart?
But, don't change a hair for me.
Not if you care for me.
Stay little valentine, stay!
Each day is Valentine's Day

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak, are you smart?
But, don't change a hair for me.
Not if you care for me.
Stay little valentine, stay!
Each day is Valentine's Day